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Happy Halloween, you pagans!

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Era uma vez dois viéses

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Chega um dia na vida que você tem que se decidir

Um dia sem opção C ou coluna do meio

 

Um dia em que exigem,

eles, os outros,

que você dê um passo

(levantar um pé, se equilibrando no outro,

experimentando a sensação de instabilidade

por uma fração de segundo

enquanto o pé que está no ar decide pousar no chão

mais à direita ou mais à esquerda,

para depois ter o conforto dos dois pés como base novamente)

 

Chega um dia na vida que não dá mais para se sustentar

na linha limite suspensa que separa o barulho do silêncio

 

Chega um dia na vida,

e esse dia chega para todos,

precocemente tardio,

que você decide ser soldado ou ser artista.

 

Por coca-cola ou guaraná.

4 queijos ou Bolognesa.

Cinza ou estampado.

Fazer ou procrastinar.

Por cachorro ou um sofá de veludo ausente de pêlos.

100 anos de solidão ou Memória de minhas putas tristes.

Acordar cedo ou dormir tarde.

Tchaikovsky ou Bach.

 

Se adora ou repugna as histórias infantis de Monteiro Lobato.

 

Mas como dar um sim ou um não para Monteiro Lobato,

se eu não conhecer as histórias dele?

Implacável, o tempo.

Uni-duni-tê.

Saudade é solidão acompanhada à distância

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Para Verena Than.

 

 

Hoje é dia de Tereza!

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Espero que tenha tido um dia manso e agradabilíssimo!

Que tenha ouvido algum comentário sexual-e-constrangedor da Verena; Que o Leopoldo-tenho-uma-voz-de-locutor-de-rádio tenha pronunciado cada sílaba de “Pa-ra-béns” sensualmente; Que o João tenha aparecido às 4 da manhã no lugar da comemoração; Que a Bruna tenha te feito algum elogio beeem nonsense usando as palavras “girafa”, “parangolé” e “eletricidade” na mesma frase; Que a Isis tenha te ligado e dito “Feliz aniversário, mas não posso ir no seu aniversário!”; Que o Leozinho tenha citado Julinho de Adelaide e feito um repente usando “Ellenzinha”.

Um dia comum e feliz de aniversário. Com uma cama quentinha com lençol esticado no final da noite. Como você gosta.

 

Skydiving

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33 graus em Pitt Meadows. Céu limpinho. Foi incrível.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Tree of Life

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Não é um filme para todos. É um daqueles filmes para os quais deveriam requisitar a assinatura do espectador, na bilheteria, antes de passar pela catraca. Você está disposto a doar as suas experiências e, durante todo o tempo, refletir junto às imagens? Se sim, toma o seu ingresso. Se não, não. O filme não funciona sozinho. Ele precisa do seu envolvimento.
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Propõe-se a ser intimista e discutir temas grandiosos. Big Bang. Amor. Deus. Morte. A era dos dinossauros. Pode parecer esdrúxulo e improvável conseguir harmonizar tudo isso num mesmo roteiro. Mas a tarefa fica muito mais fácil quando se pede ajuda à música de Brahms, e se resolve que um dos personagens principais é o Tempo.
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Uma das partes do filme que mais me comoveu foi uma cena em que a mãe acaricia a asa de uma borboleta. Essa imagem não dura mais de 4 segundos na tela, mas conduziu a minha reflexão sobre o filme nas cenas subsequentes.
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A asa de uma borboleta nada mais é do que uma membrana coberta de escamas, insensível ao toque. Não há células sensoriais na asa da borboleta. Mesmo assim, a borboleta continua parada, sendo acariciada; e a mãe continua acariciando (porque, entre outros motivos, é isso que mães fazem).
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Porque tocar algo que não está sentindo o toque? Dedicar tempo e afeto a um ser vivo que em 2 semanas não estará mais vivo não seria um desperdício?
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O filme mostra o universo e o interior do corpo humano para responder essa pergunta. Duas coisas extremamente complexas e ainda não inteiramente decifradas pela lógica dos homens. Igualmente importantes e insignificantes. Igualmente gigantes e pequeninas. Dependendo do seu ponto de vista, micro ou macrocosmo.
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“Dependendo do seu ponto de vista”, homem. Que não conviveu com os dinossauros, porque não existia ainda. Assim como Deus. E a moral. E a definição de micro e macro. E a necessidade de uma causalidade que faça sentido com seus porquês explicativos.
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Homem esse que julga duas semanas um tempo curto, já que vive 80 anos. 80 longos anos. 80 anos tão insignificantes quanto o toque não sentido na borboleta, perto dos quase 5 mil milhões de anos do planeta Terra.
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Voltando à pergunta, a mãe toca a borboleta para saciar o seu desejo de comunhão com a natureza. Não importa que a borboleta não sinta. Ela tem carinho dentro si e esse carinho tem um desejo latente de se expressar. Porque é isso que a faz humana. E é isso que a faz ser parte da natureza: agir de acordo com seus desejos, sem necessidade de justificativas.
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Crianças correm e rolam na grama verde, desperdiçando energia. Sem grandes objetivos. Apenas porque elas têm vontade. Homens investem amor, fé, tristeza, reflexões no objetivo vida que vai acabar em 100 anos, em uma esperançosa projeção, ou daqui a 5 minutos. Igualmente desperdício de energia…
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A vida é um desperdício. Mas ela só é um desperdício se o olhar proposto sobre essa vida tiver um desejo de objetivo.
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O objetivo da vida é a própria vida. É cada nanosegundo dessa jornada… Não tem nada lá no final. Nem um arco-íris com um pote de ouro; nem 7 virgens; nem São Pedro e o grande portão dourado.
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A mulher acaricia a asa da borboleta porque ela prefere desperdiçar o seu tempo assim a desperdiçá-lo dentro do escritório de uma grande empresa, como seu filho, anos depois. O que não é uma escolha pior nem melhor. Apenas uma escolha. (Às vezes nem uma escolha, só o resultado de vários acontecimentos sucessivos sobre os quais não se teve controle)
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Taí. Talvez viver seja ter a oportunidade de escolher como você deseja desperdiçar o seu tempo.
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Mas isso é a minha viagem dentro do filme. Minha reflexão louca nos momentos em que não há diálogos. (Já que eles estão lá justamente para provocar isso).
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O filme propõe, somente, através de uma montagem não-linear, uma experiência sensorial. Uma história (argumento cinematrográfico) simples contada em quase 2h30min, através do dilatamento dos momentos de respiração da montagem, e através de uma escolha inusitada sobre que é importante ou não para o andamento da história.
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A idéia é comover, e transbordar ora transcendência, ora incompreensão. Como a vida, portanto.
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Ps: Aqueles que não curtem filmes lentos e são fãs de “filmes com história”, não assistam.

Meu Rio

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Bateu saudade.

Saudade do balançar de quadris do Rio de Janeiro;

De poder beber cerveja na rua;

De não ter que pagar $14 por um mísero maço de cigarro;

De ouvir a palavra “goxxtosa”;

Saudade do Circo Voador e dos cambistas do Circo Voador;

De reclamar para pagar R$25 na entrada do Rio Scenarium, e depois de 30 min pensar que cada centavo já valeu a pena;

Saudade de beber um café que preste!

Jorge Ben, para lembrar do último show no Circo com Verena e Tereza: